“Já assisti a esse filme sete vezes e choro toda vez que assisto”.

Assim, com os olhos cheios d`água, a professora Jacqueline Muniz iniciou a sua participação no debate realizado após a exibição do filme Relatos do front, do diretor Renato Martins, no dia 22/08, no Instituto de Segurança Pública (ISP) , da Universidade Federal Fluminense.

O evento, organizado pelo Diretório Acadêmico Roberto Kant (DARK), contou com a presença de cerca de 200 pessoas, entre alunos e professores da Universidade, que lotaram o auditório para assistir ao filme e participar do debate com o advogado Jayme Fusco, o policial civil e um dos idealizadores do filme Sérgio Barata, a ativista social Mônica Cunha, o delegado Orlando Zaccone, a profª Jacqueline Muniz e a deputada estadual Renata Souza.

Emocionada, Mônica Cunha, uma das entrevistadas do filme e que teve o filho assassinado, disse que procurou entrar após a sessão para conseguir falar sem embargar a voz, pois concordando com a profª Jacqueline, a dor não escolhe lado e nessa “guerra às drogas, ninguém ganha, só há vítimas, mães chorando por seus filhos e entes queridos”.

Mônica falou de sua atuação junto a outras mães no Movimento Moleque e na Comissão dos Direitos Humanos (CDH) da Alerj. Sérgio Barata destacou a importância da polícia para as garantias democráticas e que com a valorização dos policiais e um trabalho sério de planejamento e controle da sociedade, todos sairão ganhando.

Barata e o advogado Jayme Fusco concordaram sobre o papel fundamental da Academia para a formulação de políticas públicas eficazes e que possam atender aos anseios dos cidadãos por segurança, a partir de um diálogo transparente entre o Estado e a sociedade.

Já a deputada Renata Souza concordou com as falas de Mônica Cunha e Jacqueline sobre a dor que a violência impõe sobre a população mais vulnerável e destacou sua trajetória de mulher negra e favelada.

Renata lembra que representa hoje um difícil papel na Comissão dos Direitos Humanos da Alerj, espaço dominado pelos que acham que a truculência e a violência do Estado são soluções. “Luta para mim é uma questão de sobrevivência, sempre foi”, concluiu Renata, sendo aplaudida pela platéia.

Após a fala dos debatedores, foi aberta a participação ao público, em que se podia enxergar a diversidade típica da Universidade pública. Jovens de comunidades periféricas, policiais e professores com forte engajamento na questão da Segurança Pública compartilharam suas inquietações, seus relatos de dor e revolta, mas também de esperança num futuro com menos violência e mais paz para todos.

No fim, todos pareciam concordar com a mensagem do filme de que é preciso ouvir e dar voz a todos – policiais, pesquisadores e sociedade – deixando de lado preconceitos e ressentimentos para construir uma nova e promissora realidade.

“Exorto a todos vocês a continuarmos com nosso trabalho de pesquisa em Ciências Sociais, com nossa missão de afirmar o respeito aos direitos humanos e à vida, e a exercer a compaixão como nos ensinou Rousseau”, concluiu sob aplausos a prof. Jacqueline Muniz.

All Posts
×

Almost done…

We just sent you an email. Please click the link in the email to confirm your subscription!

OK